
Praias da Parede
December 15, 2022
Cervejaria Eduardo das Conquilhas
December 15, 2022Wenceslau Balseiro Guerra foi o primeiro Presidente da Junta de Freguesia da Parede, conforme relato já escrito em capítulos.
Em 1953, quando tomou posse do cargo, a sua “grande aventura” foi a remodelação do Mercado da terra tutelado pela autarquia.
“Fui fazer as obras com 17 contos, que era o que tínhamos no cofre, e gastei 583, com 140 da Câmara e o resto…. foi do bolso, mas valeu a pena”.

Do passado deste edifício, dos finais da década de 20 do século XX, foi pouca a informação recolhida, não existindo nos arquivos oficiais da Junta elementos que permitam dar conhecimento da sua história.
É, no entanto, voz corrente que a degradação do espaço em 1953 era de tal dimensão que se não fora a acção empreendida pela Junta, nesse ano, terminaria naqueles dias a função a que se destinava.
Mais importante e acima de tudo concordante com o espírito destes livros, é a memória daqueles que foi possível chamar para o presente e que entregaram todo o seu esforço para que o Mercado da Parede alcançasse um lugar cimeiro, no respeito e na prestação de um serviço à comunidade, impar ao longo de décadas.
Os produtos diversos ali colocados à disposição da população ainda hoje têm fama de alta qualidade, embora o volume de negócios sofra de uma acentuada quebra desde que as grandes superfícies contribuíram para o desaparecimento do pequeno comércio local.

No ano de 1930, Augusto César, comerciante de produtos hortícolas, ocupava o lugar n.º 1 no Mercado da Parede. Terá sido um dos mais antigos paredenses a negociar naquele espaço.
Na foto, com o neto Fernando César uma companhia do avô na carroça que este conduzia, transportando as mercadorias até ao local de venda.
Não foi apenas o avô que ganhou uma posição destacada na história da terra.
O neto é ainda hoje o
associado n.º 1 do Parede Futebol Clube, instituição à qual dedicou muitos anos como seu dirigente.

Foi no ano de 1932, em plena época de grande actividade do mercado da Parede, que os comerciantes ali estabelecidos promoveram uma campanha publicitária com anúncios no número único do jornal do Parede Futebol Clube, comemorativo do 4.º aniversário da fundação desta colectividade.





Estabelecidos desde 1969, foi-nos dado conhecer, como curiosidade estatística, alguns dados referentes à sua actividade no ano de 1976. As vendas atingiram o montante de 720.000$00 (3.600,00€ na moeda actual), as compras tiveram o valor de 610.000$00 e pagaram de impostos 5.897$00. (Elementos do arquivo da Junta de Freguesia)




Na história do Mercado da Parede muitos comerciantes foram figuras influentes na fama e no prestígio alcançado por este Lugar. Com uma banca de peixe cuja exploração iniciou no ano de 1961, D. Alice Ferreira Bem-Haja Caetano Marques marcou definitivamente a memória dos paredenses, aqui findando a sua actividade depois de um começo, em 1947, quando escolheu a Parede como local de residência.
Uma escolha forçada por doença de seu marido, Victor Caetano Marques, a quem foi recomendado o clima desta terra, não sobrevivendo, no entanto, a uma operação e vindo a falecer no ano de 1951. Antes, em 1950, adquirira a
Manuel Fortunato a denominada Padaria Primavera, também conhecida por Padaria do Cão, e onde D. Alice trabalhou até rumar ao Mercado.




Nota: D. Alice era madrinha de Venília que veio para a Parede em 1963




O Mercado da Parede foi sempre, ao longo de décadas de actividade, um lugar de oferta diversificada e onde era possível os clientes abastecerem-se de todos os géneros necessários à sua alimentação.
No entanto, e enquanto a concorrência das grandes superfícies comerciais não invadiu o espaço destes pequenos comerciantes, a venda do peixe terá sido certamente a maior e mais apreciada das qualidades que levavam diariamente centenas de clientes a dirigirem-se para ali.
Os registos detalhados de todos os feirantes que aqui assentaram banca não são conhecidos, tendo sido apenas colocados à nossa disposição alguns documentos e dados isolados que nas páginas seguintes se apresentam

Carolina Oliveira (à direita), foi umas das mais conceituadas conhecedoras da arte de comercializar peixe.
Casada com Manuel da Bateira, era mãe de Luís Manuel de Oliveira, proprietário do Castelinho de Caparide,
cuja história é referida no capítulo deste livro dedicado à família Bateira







Com uma loja no Largo José Fontana, conforme anúncio publicado em 1932 no jornal do Parede Futebol Clube, comemorativo do seu 4.º aniversário, possuía também a mercearia Ponto Azul, na avenida da República, situada entre a garagem Azevedo e a Casa Nelinda, de Fernando Fortes, a seguir à casa Nelinda existia a loja de Domingos
Passaroco, e no prédio “Faria“, o estúdio fotográfico de Francisco Marçal Freitas Moura “Paco” e a loja de Fanqueiro,
Retroseiro e Sapataria, de Augusto Ernesto Faria, esta na esquina com a rua Heliodoro Salgado.

dos livros ” Parede a terra e a sua gente”
autor – José Pires de Lima


